Imaginar, eu não imaginava. Uma surpresa, com certeza. É
assim que retrato o que vejo que o maior evento futebolístico trouxe ao Brasil.
Estrangeiros tomando conta das ruas, dos hotéis, da praia. Verde e amarelo por
todos lados, e também azul, laranja, vermelho e branco. Uma mistura de cores,
sabores, idiomas e povos. Uma festa.
Ao observar os depoimentos dos estrangeiros o que escuto em
diversos idiomas é “me sinto em casa”. Se sentir em casa estando em outro país,
isso vale uma grande salva de palmas aos brasileiros, pela receptividade e
alegria que contagiam pessoas de qualquer lugar.
Fotos e depoimentos nas redes sociais dos meus amigos que
assistiram aos jogos nos estádios. Nas fotos belas recordações de momentos
vividos ao lado desses estrangeiros quase parentes. Sorrisos que invadem a tela
do computador e depoimentos com frases do tipo “Isso é copa do mundo, meu
amigo”.
Tanto em comum como também muito em diferente, tudo isso com
muito respeito. Pergunto-me agora, por que essa alegria, esse espírito de
solidariedade não invadem outros campos desse mundo? Amigos no futebol e
guerrilheiros nas outras áreas. Ver o mundo com infindáveis guerras entre
países por questão de poder, dinheiro e território. Guerras dentro do próprio
país. Vítimas e mortes, muitas mortes.
E a guerra da fome? Dentro dos países, uns com a mesa farta,
e outros fartos com a barriga vazia. Países planejando, investindo e
construindo maneiras de como se defender de algum ataque com armas e bombas.
Mas não seria melhor investir e planejar em como atacar os piores inimigos, a
fome, as doenças e a precariedade que rodeiam seus próprios países e também os
países vizinhos?
Queria eu imaginar que a copa fosse eterna e nenhum problema
ou discórdia existisse. Que todos pensassem no próximo e fossem felizes sempre,
não só na copa. Mas, como todo brasileiro, eu tenho esperança. Talvez essa
ainda não seja a copa eterna, vou esperar pela próxima.
Por Luana Nagel.
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